- Sabes? O meu pai morreu...
- Sei.
- Ele agora está lá em cima. - fitou o céu. - É uma daquelas estrelas.
- Qual?
- São tantas... tantas... Aquela! Aquela ali! A mais brilhante, ali!
(Silêncio)
- Um dia vou à Austrália! A Austrália é quase noutro planeta!
- Sim? Sabes que vais ter de ir de avião?
- Avião? Sim... Nunca andei de avião. Pode ser!
- Vais precisar de dinheiro, senão não entras no avião.
- Dinheiro?
(Silencio prolongado)
- Levo uma moeda de um euro.
- Uma? Parece-me que assim não te deixavam entrar no avião...
- Ai, não? Duas moedas?
- Duas mil!
- Fogo! Então também vou precisar de moedas de dois euros.
(Silêncio)
- Se pudessemos voar não era preciso irmos de avião.
- Pois não!
- Os anjos voam. O meu pai morreu e agora é um anjo, tem asas e voa. Ele pode ir à Austrália.
- Sempre que quiser.
Ao jovem D., que em tão tenra idade perdeu seu pai, devo este texto

2 comentários:
...e é nestas alturas que todas as minhas dúvidas desaparecem: gosto dessas amostras de gente que ousam ver para além do que conseguimos olhar :)
quem sabe um dia...
:)
abraço
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