quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

- Traz-me uma cerveja, puta! - Vociferou.
- Oi?!? - Foi tudo o que foi capaz de dizer
- Traz-me uma cerveja, PU-TA! - Repetiu, quase soletrando o impropério.
- Você não fala assim p'ra mim, 'viu? Eu tenho dignidade! - Respondeu, denunciando o sotaque típico do Nordeste brasileiro.
- Dignidade?!? - Repetiu, imitando na perfeição o sotaque.
O grupo que o acompanhava riu-se ruidosamente.
- Dignidade? - Disse uma vez mais retirando do bolso uma nota de cinquenta euros, que atirou para o chão. - Quero ver isso!
Olhou-o indignada, baixou-se para colher a nota. Sentiu um empurrão, caiu de gatas.
Risos e, entre eles, uma voz:
- Olha! A dignidade dela rasteja e está à venda!
Ergueu-se, foi ao balcão, apanhou uma cerveja e, entre risos e apalpões, entregou-lha.
Nessa madrugada, ao deitar-se, ela chorou.
Nessa madrugada, antes de se deitar, ele beijou os filhos e a mulher.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Levou-a à boca.
Fios de suor escorriam-lhe abundantemente pelo rosto. O sabor acre metálico, o medo. Fez um clique. Depois veio um estrondo.
Ao contrário do que esperava a sala continuava lá. Olhou em volta, tinha um zumbido ensurdecedor nos ouvidos, cheirava intensamente a carne queimada, o sabor acre do metal mantinha-se, agora disperso em mil outras sensações. Um líquido fresco escorria-lhe pelo pescoço e peito nu, sentia-o, mas não o quis ver. Ainda estava vivo!
Procurou de novo forças para levar a arma à cabeça, mas a sala, desta feita, começou a esfumar-se, a ficar turva, faltavam-lhe as forças para terminar Aquilo. Tremeu. A sala desapareceu, ficou negra. Sentiu-se cair da cadeira com estrondo. Depois vieram os passos, os gritos, a agitação, o choro e finalmente o nada.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Infantil

- Este porta-chaves pode ficar para mim?
- É teu! Tu é que esqueceste cá dele da ultima vez...
- Ah, pois!

Pode ser tudo para ti... fazemos de conta que ficou cá tudo esquecido da ultima vez!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

What is truth? I don't know and I'm sorry I brought it up.

"Or, perhaps, I cannot now bring these points to mind, because, in truth, the character of my beloved, her rare learning, her singular yet placid cast of beauty, and the thrilling and enthralling eloquence of her low musical language, made their way into my heart by paces so steadily and stealthily progressive that they have been unnoticed and unknown."

in Ligeia
Edgar Allan Poe

sábado, 7 de fevereiro de 2009