terça-feira, 1 de junho de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

1918-2010

"Com a minha segunda mulher - uma companheira e mulher extraordinária!- percorri grande parte parte do continente num carro. Certa noite, esgotados da viagem ,decidimos que era altura de descansar e acabei por me meter numa clareira com muitas lombas, pensei que ia dar cabo do carro quando me meti por ali... recordo-me dos solavancos! Bem, finalmente, mesmo no meio de todas aquelas lombas, decidimos para e passar a noite. Qual não é o nosso espanto, ao acordar, darmos por nós no meio de um cemitério de uma aldeia ali perto!!! Entramos em pânico, não fizemos mais nada metemo-nos de novo no carro, acelerei dali para fora e só paramos passado umas horas ainda meio atordoados pela experiência..."

Por esta e outras tantas e ainda pelas que ficaram por contar, o meu muito obrigado! Até sempre!


domingo, 24 de janeiro de 2010

O espelho. Ao lado direito do espelho a janela que dá para a rua e lá em baixo, na rua, as pessoas caminhavam indiferentes e apressadas na penumbra da madrugada.
Fitava-me ao espelho, o casaco longo e claro acabado de comprar era afinal cinzento... Tudo, à luz daquele quarto se revelava em tons de preto e branco. Eu estava cinzento.
Um silêncio ensurdecedor subiu repentinamente pela janela, olhei lá para baixo. Sombras, sombras irrequietas vagueando, era tudo o que conseguia ver. Pareceu-me reconhecer a minha própria sombra no meio daquele atropelo. Assustado virei-me de novo para o espelho, já não era eu que lá me reflectia. Uma imagem de um homem nu e cinzento, igual a mim ,foi o que os meus olhos lá encontraram. Já não era eu, os olhos da figura reflectida no espelho reviravam-se quase imperceptívelmente, sem deixarem no entanto de estar fixos em mim.
Tenso, cerrei os punhos com força, o homem do outro lado do espelho fez o mesmo.
Olhei para trás apenas para encontrar a parede nua do quarto, continuava sozinho no meu espaço.
Contemplei de novo o espelho, os olhos irrequietos do homem eram agora negros e frios, os lábios mexiam-se como se estivesse a tentar sussurrar-me algo, mas a sua voz era de tal forma impetuosa que quase instantaneamente me ensurdeceu. O que quer que me estivesse a tentar dizer perdeu-se ali, naquele instante.
Tentando acalmar-me olhei mais uma vez pela janela, do outro lado da rua a minha sombra, imóvel, aguardando.
Procurei de novo o espelho e lá estava ele... Ele? Não... Eu! Reconheci-me finalmente. Era eu do outro lado do espelho, eu, igual a mim, mas sem vida.
Ele sorriu-me.
Retribui.
Assim permanecemos até acordarmos.