Aos quatros anos já "lia" histórias para adormecer o irmão, por sinal nove anos mais velho. Pegava num livro de banda desenhada e lia os desenhos em cada quadrado da história, mas esses não eram os livros que ambicionava. Esses eram fáceis. Era aquele lá no alto da estante que parecia enorme, como todas as coisas parecem aos olhos de uma criança de quatro anos. Não lhe chegava e mesmo que lhe chegasse as ilustrações eram escassas e as palavras incompreensíveis.
Veio a escola, a morte, a vida e os ensinamentos que delas se retiram. Aprendeu a ler. Cresceu. O livro era agora mais pequeno do que parecia. Já lhe chegava. As letras juntaram-se para formar palavras, as palavras frases, as frases estrofes. Tinha seis anos.
Veio a escola, a morte, a vida e os ensinamentos que delas se retiram. Aprendeu a ler. Cresceu. O livro era agora mais pequeno do que parecia. Já lhe chegava. As letras juntaram-se para formar palavras, as palavras frases, as frases estrofes. Tinha seis anos.
"As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;"
Sem compreender exactamente o que eram aquelas palavras, elas penetraram-lhe a alma. Até hoje!
Foi o primeiro livro que li... Acho que nunca o cheguei a terminar... Talvez um destes fins de semana.
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;"
Sem compreender exactamente o que eram aquelas palavras, elas penetraram-lhe a alma. Até hoje!
Foi o primeiro livro que li... Acho que nunca o cheguei a terminar... Talvez um destes fins de semana.

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