O espelho. Ao lado direito do espelho a janela que dá para a rua e lá em baixo, na rua, as pessoas caminhavam indiferentes e apressadas na penumbra da madrugada.
Fitava-me ao espelho, o casaco longo e claro acabado de comprar era afinal cinzento... Tudo, à luz daquele quarto se revelava em tons de preto e branco. Eu estava cinzento.
Um silêncio ensurdecedor subiu repentinamente pela janela, olhei lá para baixo. Sombras, sombras irrequietas vagueando, era tudo o que conseguia ver. Pareceu-me reconhecer a minha própria sombra no meio daquele atropelo. Assustado virei-me de novo para o espelho, já não era eu que lá me reflectia. Uma imagem de um homem nu e cinzento, igual a mim ,foi o que os meus olhos lá encontraram. Já não era eu, os olhos da figura reflectida no espelho reviravam-se quase imperceptívelmente, sem deixarem no entanto de estar fixos em mim.
Tenso, cerrei os punhos com força, o homem do outro lado do espelho fez o mesmo.
Olhei para trás apenas para encontrar a parede nua do quarto, continuava sozinho no meu espaço.
Contemplei de novo o espelho, os olhos irrequietos do homem eram agora negros e frios, os lábios mexiam-se como se estivesse a tentar sussurrar-me algo, mas a sua voz era de tal forma impetuosa que quase instantaneamente me ensurdeceu. O que quer que me estivesse a tentar dizer perdeu-se ali, naquele instante.
Tentando acalmar-me olhei mais uma vez pela janela, do outro lado da rua a minha sombra, imóvel, aguardando.
Procurei de novo o espelho e lá estava ele... Ele? Não... Eu! Reconheci-me finalmente. Era eu do outro lado do espelho, eu, igual a mim, mas sem vida.
Ele sorriu-me.
Retribui.Fitava-me ao espelho, o casaco longo e claro acabado de comprar era afinal cinzento... Tudo, à luz daquele quarto se revelava em tons de preto e branco. Eu estava cinzento.
Um silêncio ensurdecedor subiu repentinamente pela janela, olhei lá para baixo. Sombras, sombras irrequietas vagueando, era tudo o que conseguia ver. Pareceu-me reconhecer a minha própria sombra no meio daquele atropelo. Assustado virei-me de novo para o espelho, já não era eu que lá me reflectia. Uma imagem de um homem nu e cinzento, igual a mim ,foi o que os meus olhos lá encontraram. Já não era eu, os olhos da figura reflectida no espelho reviravam-se quase imperceptívelmente, sem deixarem no entanto de estar fixos em mim.
Tenso, cerrei os punhos com força, o homem do outro lado do espelho fez o mesmo.
Olhei para trás apenas para encontrar a parede nua do quarto, continuava sozinho no meu espaço.
Contemplei de novo o espelho, os olhos irrequietos do homem eram agora negros e frios, os lábios mexiam-se como se estivesse a tentar sussurrar-me algo, mas a sua voz era de tal forma impetuosa que quase instantaneamente me ensurdeceu. O que quer que me estivesse a tentar dizer perdeu-se ali, naquele instante.
Tentando acalmar-me olhei mais uma vez pela janela, do outro lado da rua a minha sombra, imóvel, aguardando.
Procurei de novo o espelho e lá estava ele... Ele? Não... Eu! Reconheci-me finalmente. Era eu do outro lado do espelho, eu, igual a mim, mas sem vida.
Ele sorriu-me.
Assim permanecemos até acordarmos.

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