domingo, 20 de julho de 2008

As Viagens de Gulliver

De certa forma, habituamo-nos a ver a narrativa das viagens de Lemuel Gulliver como uma história para crianças, mas nada estaria mais longe da ideia do seu autor – Jonathan Swift (1667-1745). Este relato das viagens de Mr. Gulliver por locais distantes e fantásticos é na realidade uma fabulosa sátira e critica à sociedade vigente na altura da sua edição, sobretudo ao colonialismo e ao capitalismo. É curioso constatar que a nossa sociedade em mais de 280 anos, no seu essencial, em pouco ou nada mudou (trocou de balde mas a merd@ é a mesma). Não menos curioso, é verificar, pela análise do narrador à Natureza Humana, o pouco que esta se alterou nos últimos milhares de anos.




Deixo-vos um pequeno excerto desta narrativa acerca da noção de verdade e mentira dos Houyhnhnms:

"E recordo-me de que, quando nas minhas conversas com o meu amo sobre a natureza humana nas outras regiões do Mundo surgiam termos como «mentir» e «falsidade», era com muita dificuldade que me fazia compreender (...). Ele defendia que o uso da fala servia para nos compreendermos uns aos outros e recebermos informação sobre factos e que, se uma pessoa dizia «aquilo que não era», ia contra estas duas finalidades, pois não só o seu interlocutor continuava, a bem dizer, sem o compreender como, quanto a receber informação, estava numa situação pior do que se tivesse permanecido na ignorância, pois fora levado a tomar o «branco» pelo «preto» e o «comprido» pelo «curto». E nisso se resumiam as suas noções com respeito à faculdade de mentir, tão perfeitamente compreendida e universalmente praticada entre as criaturas humanas."

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